Luis Maluf

AU PIED DU MUR – GASEDIEL

A série de 15 pinturas revela fragmentos de paredes recriados pela artista francesa Gasediel (1969 -). Fora de seu contexto, eles induzem o interlocutor a fazer uma “pausa” nessa estética da rua. Gasediel recompõe extratos urbanos e discute outra visão sobre espaço público. O olho, normalmente muito furtivo, é assim estimulado a observar escrupulosamente essas narrativas sutilmente enquadradas. Gasediel aponta o olhar do adulto para “O muro, refúgio proibido, [que] dá voz a tudo o que sem ele seria condenado ao silêncio” (Brassaï).

Se Gasediel não tivesse se apropriado dessa poética estética, você a teria visto?

 

“Au Pied du Mur” também porque, esse mesmo adulto, asfixiou sua capacidade criativa. A busca do resultado e julgamento dos terceiros estavam certos de sua espontaneidade. Arthur Cravan, no entanto, alertou desde 1914: “Na rua, logo veremos apenas artistas, e teremos todo o trabalho do mundo para descobrir um homem”. Para levantar uma reflexão sobre a persistência, no adulto, do poder criativo próprio da infância, Gasediel associou, em algumas pinturas desta série, uma figura criativa infantil.

 

Brincando com discernimento da expressão do, já mencionado, Brassaï “A linguagem das paredes”, Gasediel cria certa liberdade de composição – ao trazer elementos da rua – à medida que apresenta apenas uma única técnica: a pintura. Nenhuma colagem, descolagem ou elementos roubados na rua, nenhuma camada, laceração de pôsteres, incisões, stencils… É através da tinta, mas em um suporte texturizado (camada de concreto ou cimento) que Gasediel torna a essência desta matéria urbana corroída pelo tempo.

 

Trazer permanência a esta arte urbana efêmera, criar um patrimônio gráfico e caligráfico através de palimpsestos que preservam o ardor do gesto da Arte de Rua, e enquadrar cada obra de forma aguda (privado do seu meio urbano, o fragmento permite abrir os olhos do espectador, permite sair da representação)… O trabalho de Gasediel oferece a experiência estética de uma nova dinâmica de contemplação de uma arte “a céu aberto”!

 

Curadoria: Gaëlle Pierson