"Caligrapixo: ‘Da rua ao ateliê’"

CALIGRAPIXO, o nome do artista, é formado pelo início da palavra caligrafia, caligra, com pixo, uma abreviação de pichação escrito com “x”.

Caligrapixo faz portanto, de forma rara, uma síntese inteligente entre tradições ancestrais e as intervenções de rua, que tornaram-se onipresentes a partir da década de 1960. Ele sabe conciliar o clandestino e o efêmero usando uma reflexão elaborada do método gesto-escrita sem virar as costas para a história da arte.

Se a caligrafia que encontramos hoje nas áreas públicas de grandes cidades internacionais não tem nada a ver com os textos espirituais ou literários realizados por calígrafos antigos, apesar de conter e sugerir demandas políticas bem definidas, para certos artistas incomuns, como Caligrapixo, no entanto, ela inclui a ideia de extensão do corpo e da mente, uma disponibilidade quase meditativa para trabalhar. Ele desenha seus poemas místicos, sem associar temas específicos. Ele nos apresenta a repetição da sua escrita, seus estados internos, que são traduzidos em uma inundação de sensações e o esquecimento de si mesmo em uma presença misteriosa. Ele faz de tudo para que não consigamos nem ler nem entender sua caligrafia. Ela torna-se assim, de forma gradual, em uma pintura cada vez mais abstrata.

A escrita de Caligrapixo é complexa. Ele joga com as sobreposições, as diferenças de texturas e espessura, e as aparências, assim como com as cores que vêm quebrar o ambiente poluído da grande megalópole paulista. As suas inscrições são lidas como a expressão do inconsciente da cidade. Esta abordagem inscreve sua prática no contexto emergente da etnologia e sociologia da vida cotidiana.

A exposição na Luis Maluf Art Gallery mostra como Caligrapixo pertence ao universo das ruas paulistanas, enquanto mantem o desejo de dedicar uma parte do seu trabalho a uma reflexão artística que ele desenvolve no silêncio de seu estúdio. A primeira parte da exposição é um jogo destinado ao público, que mostra o interior da galeria como intervenções de rua. Em painéis de madeira ou metal, Caligrapixo, expõe alguns exemplos de intervenções externas. Um jogo de espelhos traz as ruas para dentro para reforçar essa impressão. O artista também apresenta suas últimas pinturas em telas de formatos menores. Caligrapixo queria sair dos muros, olhar para outras linguagens, outros contextos, mas sempre com base na caligrafia da pixação. Suas cores são geralmente o preto, o cinza ou o branco, são as cores principais da cidade de São Paulo. Nesta exposição, ele tentou introduzir a cor para quebrar esse universo de cinzas, poeira e poluição.

Podemos dizer que esta exposição demonstra como Caligrapixo, enquanto pertencente ao universo particular das ruas e arredores de São Paulo, nunca hesitou em posicionar-se como pintor. Ele embora esteja muito bem inserido no mundo da pixação paulistana, é um artista que não deixa de nos surpreender. Ele também tem a alma de um pintor e esta exposição mostra os primeiros traços de uma obra muito promissora.

(Curadoria de Marc Pottier)

- Virtual Exhibition "Da rua ao Ateliê" -

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