Luis Maluf

As Minas e a mina, o ouro e a fé.
A tradição e a sina, a lama e o pé.
O Clube e a esquina, a lavoura e o café.
A energia e a usina, a cabaça e o coité.

A prata e o pão, o ferro e chão.
A ganancia e a exploração.
O dinheiro e a corrupção.
A rapina e a poluição.

Montanhas planificadas, planícies amontoadas.
Um rastro de destruição e de vidas ceifadas.
Um vulcão construído na política errada.
A memória fossilizada e sirene acionada.
Na janela fazia falta a namoradeira.
Sem Rio e Doce, gosto na boca é de tábua de chiqueiro.
Para as galinhas que sobrarão, não existe mais terreiro.

No Real da estrada, o que se vê, não é mais ouro.
Na praça matriz, o que se ouve, não é mais causo, nem prosa.
O que sobrou foi a lamento dos Bento, dos Rodrigues e dos Rosa.

A morte em enxurrada

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