{"id":10186,"date":"2022-06-20T16:02:08","date_gmt":"2022-06-20T19:02:08","guid":{"rendered":"https:\/\/luismaluf.com\/?p=10186"},"modified":"2024-10-21T14:46:24","modified_gmt":"2024-10-21T17:46:24","slug":"incompletude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/luismaluf.com\/en\/past\/incompletude\/","title":{"rendered":"Incompletude"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row thb_full_width=&#8221;true&#8221; el_class=&#8221;align-justify&#8221;][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text animation=&#8221;animation left-to-right&#8221;]<span style=\"font-weight: 400;\">TATIANE FREITAS<\/span><\/p>\n<h1>INCOMPLETUDE<\/h1>\n[\/vc_column_text][vc_separator][vc_column_text animation=&#8221;animation bottom-to-top&#8221;]\n<p style=\"text-align: right;\"><b>26 de Mai &#8211; 25 de Jun 2022<br \/>\n<\/b>R. Brigdeiro Galv\u00e3o, 996, Barra Funda<\/p>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243; css=&#8221;.vc_custom_1653519856748{background-position: center !important;background-repeat: no-repeat !important;background-size: contain !important;}&#8221;][vc_empty_space mobile_height=&#8221;30px&#8221; height=&#8221;0px&#8221;][vc_column_text animation=&#8221;animation bottom-to-top&#8221;]<strong>Tatiane Freitas<\/strong> (S\u00e3o Paulo) foi uma das artistas participantes da primeira Resid\u00eancia Art\u00edstica da Usina Luis Maluf, que aconteceu em 2021. A artista faz agora sua primeira individual na ULM, com curadoria de <strong>Ana Carolina Ralston<\/strong>, contemplando sua produ\u00e7\u00e3o mais recente.<\/p>\n<p>Visite a exposi\u00e7\u00e3o de<strong> segunda a sexta das 10h \u00e0s 19h<\/strong>, e aos <strong>s\u00e1bados das 11h \u00e0s 17h<\/strong>, na<strong> Usina Luis Maluf<\/strong>\u00a0 &#8211; Rua Brigdeiro Galv\u00e3o, 996, Barra Funda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Incompletude <\/strong><\/p>\n<p>Tatiane Freitas<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>\u201cA porta da verdade estava aberta, <\/em><em>Mas s\u00f3 deixava passar meia pessoa de cada vez.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Carlos Drummond de Andrade<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Permanecer no escuro por medo do futuro incerto ou do passado se repetir atormenta. Como erguer quando um peda\u00e7o se vai? Reconstruir com sonhos? O sonho \u00e9 uma idealiza\u00e7\u00e3o, uma fantasia, um plano ou desenho da mente. O real formato s\u00f3 saberemos quando esse futuro se tornar presente \u2013 hoje ele \u00e9 invis\u00edvel.<\/p>\n<p><em>O fogo tem um grande significado espiritual no desenvolvimento humano. Simboliza a transforma\u00e7\u00e3o, a purifica\u00e7\u00e3o, o amor, a ilumina\u00e7\u00e3o, a morte e o renascimento. Tantos s\u00e3os os rituais que se utilizam dele para transmutar a vida. Utilizemos o fogo, ent\u00e3o, como s\u00edmbolo do recome\u00e7o. \u00c9 por meio da queima e do derretimento da mat\u00e9ria que se abre o universo de Tatiane Freitas, em Incompletude.<\/em><\/p>\n<p>Ent\u00e3o estamos marcados por essa falsa busca da completude. Mas hoje, o narcisismo contempor\u00e2neo agrega um outro ideal, o da liberdade, que Lacan chama de \u201cdel\u00edrio de autonomia do neur\u00f3tico\u201d. Achamos que podemos ser aut\u00f4nomos e sozinhos, que podemos nos bastar. Como casar esses dois ideais? De um lado, a busca de algo que complete o nosso ser e, de outro, uma vontade de viver a liberdade total, sem concess\u00f5es.<\/p>\n<p><em>Mem\u00f3ria e tempo. Esses s\u00e3o dois dos pilares de uma obra que trabalha a intangibilidade da mente humana. A p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em neuroci\u00eancia e comportamento corroborou para que Tatiane Freitas seguisse transformando de forma cada vez mais pulsante tal ideal em esculturas. A altern\u00e2ncia dos materiais nos leva a refletir sobre nossa pr\u00f3pria perman\u00eancia, sobre hist\u00f3rias que vivemos e sua sedimenta\u00e7\u00e3o no mundo f\u00edsico.<\/em><\/p>\n<p>De todos os seres que vivem, somos os \u00fanicos a ter consci\u00eancia da inevitabilidade do fim, portanto os \u00fanicos a entenderem essa insufici\u00eancia. O ser humano \u00e9 ontologicamente insustent\u00e1vel na sua estrutura, pois tem consci\u00eancia do fim.<\/p>\n<p>Ele dura o tempo que permanece existindo no seu ser.<\/p>\n<p><em>A estrutura que nos mant\u00e9m em p\u00e9, que sustenta o corpo e o esp\u00edrito. Que mant\u00e9m s\u00f3brio o olhar e a mente. \u00c9 tamb\u00e9m sobre isso que se trata a mostra Incompletude. Sobre a depend\u00eancia total ou relativa que temos de uma base s\u00f3lida para nos firmarmos neste mundo. Da seguran\u00e7a necess\u00e1ria para existir. Da certeza de ter onde chorar, sorrir e cair. Tais constru\u00e7\u00f5es s\u00e3o compostas de recorda\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias que habitam nosso ser.<\/em><\/p>\n<p>No Mito do Andr\u00f3gino, em <em>O Banquete<\/em>, de Plat\u00e3o, \u00e9ramos seres de quatro pernas e bra\u00e7os que, um dia, foram cortados ao meio por Zeus e condenados a passar o resto da nossa exist\u00eancia em busca da nossa outra metade. Acredito que o conceito de alma g\u00eamea seja esse, o de buscarmos um outro ser que nos complemente nas diferen\u00e7as e n\u00e3o algu\u00e9m que seja \u00e0 nossa imagem e semelhan\u00e7a.<\/p>\n<p><em>O Teorema da Incompletude de G\u00f6del mostra matematicamente que nenhum sistema \u00e9 autoconsciente: ele necessitar\u00e1 sempre de um elemento externo para valid\u00e1-lo. J\u00e1 na arte, a incompletude aponta para a desordem, pois \u00e9 a partir de tal incerteza que ela se alimenta, que nasce o improviso e o imensur\u00e1vel. A incompletude na arte d\u00e1 espa\u00e7o ao erro e tamb\u00e9m \u00e0 chance de criar algo completamente novo e extraordin\u00e1rio. \u00c9 essa experi\u00eancia incompleta e, por isso in\u00e9dita, que se trata a exposi\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p>di\u00e1logos entre a artista Tatiane Freitas e<br \/>\na curadora Ana Carolina Ralston[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<h3>CONFIRA O TOUR VIRTUAL DA EXPOSI\u00c7\u00c3O<\/h3>\n[\/vc_column_text][vc_empty_space][vc_column_text]\n<p style=\"text-align: center;\"><iframe loading=\"lazy\" style=\"width: 100%;\" src=\"https:\/\/my.matterport.com\/show\/?m=9Mc94ob2Wwm&amp;play=1&amp;amp&amp;ts=30;amp&amp;qs=0;amp&amp;amp&amp;lp=1\" width=\"853\" height=\"540\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\">Fill browser window<\/iframe><\/p>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row el_class=&#8221;align-justify&#8221;][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_column_text animation=&#8221;animation left-to-right&#8221;]\n<h3>SOBRE O ARTISTA<\/h3>\n[\/vc_column_text][vc_column_text animation=&#8221;animation bottom-to-top&#8221;]Os elementos naturais contemplam um repert\u00f3rio complexo e vasto. Se por um lado, temos os elementos qu\u00edmicos da tabela, suas nomenclaturas e aplica\u00e7\u00f5es determinantes, de origem natural e artificial, temos do outro, os mais simples, submetidos \u00e0 banalidade. As transforma\u00e7\u00f5es destes componentes parecem ser familiares \u00e0 artista, que em seu vocabul\u00e1rio manual, consegue maleavelmente trabalhar com: rochas, cristais e acr\u00edlicos que se moldam, encurvam e assumem novas formas a seu dom\u00ednio.<\/p>\n<p>A madeira, mat\u00e9ria prima do lar, \u00e9 cortada em moldes e t\u00e1buas que revestem as casas de portas e batentes de janela. A cadeira, objeto criado para o descanso do corpo e repouso dos olhos em todo o entorno, prop\u00f5e uma pausa para a reflex\u00e3o sobre a longevidade, uma das inquietudes humanas, mais comuns por entre s\u00e9culos. Mediante a situa\u00e7\u00e3o de sermos eternamente ordenados pela condi\u00e7\u00e3o do tempo, existe o desejo de se manter intacto, inerente ao envelhecimento. Mas como j\u00e1 esperamos, as pernas da cadeira n\u00e3o sobrevivem \u00e0s intemp\u00e9ries, ficam moles, abrem lascas, desmontam, caem e se estragam, como naturalmente deve ser.<\/p>\n<p>Dialogando com os limites da finitude, Tatiane Freitas confecciona continuidades para as pe\u00e7as, que se alteraram progressivamente. O acr\u00edlico se dissolve, e feito \u00e1gua se adapta aos novos formatos e padr\u00f5es escolhidos pela artista para preencher os defeitos adquiridos pelo objeto. O encontro da madeira com a estrutura invis\u00edvel do acr\u00edlico parece remendar visivelmente a falha, reparando a perda temporal. As cadeiras se sustentam com a mat\u00e9ria fria e s\u00f3lida, que se molda e endurece em um ato de resist\u00eancia, configurando um sobreviver perene, fora do dom\u00ednio do tempo. Enquanto as portas ganham de presente o preenchimento de seu desenho original, agora preservado em sua mem\u00f3ria e hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Texto de N\u00faria Vieira sobre o trabalho de Tatiane Freitas.[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_empty_space mobile_height=&#8221;30px&#8221; height=&#8221;0px&#8221;][vc_single_image image=&#8221;9955&#8243; img_size=&#8221;full&#8221;][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><b>TATIANE FREITAS<\/b><br \/>\n26 de Mai \u2013 25 de Jun 2022<\/p>\n<p><em>Galeria Luis Maluf<\/em><br \/>\nR. Peixoto Gomide, 1887, Jardins<br \/>\nSeg \u2013 Sex: 10h-19h<br \/>\nS\u00e1b: 11h-17h<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":14164,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[165],"tags":[],"class_list":["post-10186","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-past"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/luismaluf.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10186","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/luismaluf.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/luismaluf.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/luismaluf.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/luismaluf.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10186"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/luismaluf.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10186\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/luismaluf.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14164"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/luismaluf.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10186"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/luismaluf.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10186"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/luismaluf.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10186"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}