{"id":15336,"date":"2024-07-15T16:17:48","date_gmt":"2024-07-15T19:17:48","guid":{"rendered":"https:\/\/luismaluf.com\/?p=15336"},"modified":"2024-10-21T11:19:47","modified_gmt":"2024-10-21T14:19:47","slug":"oceano-febril-licida-vidal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/luismaluf.com\/en\/past\/oceano-febril-licida-vidal\/","title":{"rendered":"Licida Vidal"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row thb_full_width=&#8221;true&#8221; el_class=&#8221;align-justify&#8221;][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_column_text animation=&#8221;animation left-to-right&#8221;]\n<h1>Licida Vidal<\/h1>\n[\/vc_column_text][vc_separator][vc_column_text animation=&#8221;animation bottom-to-top&#8221;]\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>20 de julho a<br \/>\n14 de agosto de 2024<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Luis Maluf Galeria<\/em><br \/>\n<em>Rua Brigadeiro Galv\u00e3o, 996<\/em><br \/>\n<em>Barra Funda, S\u00e3o Paulo, SP<\/em>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243; css=&#8221;.vc_custom_1678972569582{padding-left: 30px !important;background-position: center !important;background-repeat: no-repeat !important;background-size: contain !important;}&#8221;][vc_empty_space mobile_height=&#8221;30px&#8221; height=&#8221;0px&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221; animation=&#8221;animation bottom-to-top&#8221;]\n<h3><strong>Oceano Febril<\/strong><\/h3>\n<div><\/div>\n<p>Na primeira mostra individual da artista Licida Vidal (S\u00e3o Paulo, 1984), \u201cOceano Febril\u201d, no Galp\u00e3o da Luis Maluf Galeria, o p\u00fablico \u00e9 surpreendido com um conjunto de obras &#8211; duas grandes instala\u00e7\u00f5es, seis trabalhos em menor escala e uma s\u00e9rie de tr\u00eas v\u00eddeos &#8211; que se articulam como sistemas em atividade. Os trabalhos poderiam ser descritos como organismos vivos ou, talvez mais precisamente, como constru\u00e7\u00f5es org\u00e2nicas que se associam a elementos como minerais, vegetais, fungos e, eventualmente, pequenos animais como larvas e insetos que interagem e se relacionam nesses ambientes constru\u00eddos.<\/p>\n<p>As duas instala\u00e7\u00f5es, \u201cterral&#8221; e \u201centre a fonte e a foz&#8221; s\u00e3o trabalhos que se apropriam da arquitetura da galeria: penduram-se no teto, amarram-se nas vigas, contornam paredes e transformam o espa\u00e7o &#8211; de concreto &#8211; num campo f\u00e9rtil, cheio de movimento, em que formas de vida e novas estruturas org\u00e2nicas podem surgir. As mat\u00e9rias principais das instala\u00e7\u00f5es s\u00e3o terra, argila e \u00e1gua. Dentro desses dois trabalhos, e entre eles, a \u00e1gua circula, penetra volumes de terra, entra e sai de mangueiras, expande-se pelo ch\u00e3o. A \u00e1gua desperta sementes e fazendo-as brotarem, alimenta plantas comest\u00edveis, passa atrav\u00e9s de filtros, escorre criando pequenas perturba\u00e7\u00f5es na l\u00e2mina d&#8217;\u00e1gua que ocupa grande parte do mezanino. Goteja, limpa, caindo dessas \u201ccaba\u00e7as de cer\u00e2mica\u201d e vaza de um andar para outro da galeria, num movimento vertical que contrasta com a horizontalidade dos lagos, rios e mares, lembrando mais a chuva ou uma queda d&#8217;\u00e1gua minguada em tempos de seca.<\/p>\n<p>Trazer a \u00e1gua como mat\u00e9ria pl\u00e1stica \u00e9 um grande desafio que o trabalho de Licida se prop\u00f5e. Nosso planeta e nossos corpos s\u00e3o feitos de \u00e1gua, elemento t\u00e3o ordin\u00e1rio quanto imprescind\u00edvel para a vida. Brigar com a \u00e1gua \u00e9 batalha perdida &#8211; as\u00a0 recentes inunda\u00e7\u00f5es no Rio Grande do Sul talvez evidenciem isso da forma mais bruta e tr\u00e1gica. O trato com \u00e1gua exige cuidado: respeito aos fluxos, vaz\u00f5es e a sua forma pr\u00f3pria de movimento. Seu peso e press\u00e3o aparecem como fortes resist\u00eancias ao ser manipulada. Olhando tanto para grandes obras de engenharia civil, que desviam o curso de rios, quanto para o of\u00edcio de pescadores, pedreiros, encanadores, agricultores, entre tantos que cotidianamente lidam com a \u00e1gua, Licida vai formando um repert\u00f3rio de pr\u00e1ticas e possibilidades de manejo. \u00c9 na negocia\u00e7\u00e3o constante com aquilo que \u00e9 pr\u00f3prio da \u00e1gua: ser informe, afeita \u00e0 dissolu\u00e7\u00e3o, \u00e0 evapora\u00e7\u00e3o, sua capacidade de permanecer escondida, de penetrar no subterr\u00e2neo e, ao mesmo tempo, sua presen\u00e7a f\u00edsica em grande volumes acumulados (oceanos, rios, represas), suas qualidades visuais (superf\u00edcies extensas, reflexivas, sens\u00edveis at\u00e9 mesmo \u00e0 a\u00e7\u00e3o sutil do vento) e sua pot\u00eancia &#8211; quase m\u00e1gica &#8211; de disparar processos de vida, que se situam os trabalhos.<\/p>\n<p>Nas obras menores, que ocupam a primeira sala, as formas recipientes s\u00e3o constantes: assim como as redes de tecido de \u201cterral\u201d e nos filtros de \u201centre a fonte e a foz\u201d, aqui encontramos casulos, tigelas, aqu\u00e1rios-terr\u00e1rios, bolhas, elementos capazes de reter mat\u00e9rias distintas. Funcionam tamb\u00e9m como membranas perme\u00e1veis que fazem trocas do meio externo com o interno, mas sempre protegendo e envolvendo aquilo que est\u00e1 dentro dele. Os trabalhos partem de uma observa\u00e7\u00e3o daquilo que costumamos chamar de natureza, onde os processos de troca, intera\u00e7\u00e3o, nascimento, morte, cria\u00e7\u00e3o, destrui\u00e7\u00e3o parecem ter mais autonomia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s estrat\u00e9gias de controle desenvolvidas pela humanidade ao longo do tempo. S\u00e3o como pequenos acontecimentos aos quais a artista est\u00e1 atenta e busca apreender em seu fazer: o lampejo de um vagalume, a forma\u00e7\u00e3o rugosa da casca de uma ostra, a cristaliza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua salina, a textura de um casulo.<\/p>\n<p>Nesse conjunto de obras exposto em &#8220;Oceano Febril&#8221; vemos o trabalho que Licida Vidal desenvolve, dentro do campo da arte, h\u00e1 mais de cinco anos. S\u00e3o processos longos de experimenta\u00e7\u00e3o, montagem, desvios, retornos. De certo modo, seus trabalhos nunca est\u00e3o finalizados, pois colocam-se junto ao devir da natureza. Exigem cuidados, aten\u00e7\u00e3o, reestrutura\u00e7\u00e3o. Aqueles que convivem com os trabalhos de Licida s\u00e3o chamados a serem tamb\u00e9m seus cuidadores: a pesquisarem seus processos internos, como devem ser mantidos, em que lugares podem ser instalados. Estabelece-se assim um v\u00ednculo de responsabilidade, cumplicidade e afeto. \u2014 Tha\u00eds Rivitti<\/p>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-15334 aligncenter\" src=\"https:\/\/luismaluf.com\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/licida-vidal_luis-maluf-galeria_ceramica-450x450.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"450\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/luismaluf.com\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/licida-vidal_luis-maluf-galeria_ceramica-450x450.jpg 450w, https:\/\/luismaluf.com\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/licida-vidal_luis-maluf-galeria_ceramica-300x300.jpg 300w, https:\/\/luismaluf.com\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/licida-vidal_luis-maluf-galeria_ceramica-100x100.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/div>\n<div><\/div>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row css=&#8221;.vc_custom_1679489047883{padding-bottom: 15vh !important;}&#8221;][vc_column][vc_raw_html css=&#8221;&#8221;]JTNDaWZyYW1lJTIwc3R5bGUlM0QlMjJ3aWR0aCUzQSUyMDEwMCUyNSUzQiUyMiUyMHNyYyUzRCUyMmh0dHBzJTNBJTJGJTJGbXkubWF0dGVycG9ydC5jb20lMkZzaG93JTJGJTNGbSUzRDliYjFYa3A5azZ2JTI2cGxheSUzRDElMjYlMjZ0cyUzRDMwJTNCYW1wJTI2cXMlM0QwJTNCYW1wJTI2JTI2bHAlM0QxJTIyd2lkdGglM0QlMjI4NTMlMjIlMjBoZWlnaHQlM0QlMjI1NDAlMjIlMjBmcmFtZWJvcmRlciUzRCUyMjAlMjIlMjBhbGxvd2Z1bGxzY3JlZW4lM0QlMjJhbGxvd2Z1bGxzY3JlZW4lMjIlM0VGaWxsJTIwYnJvd3NlciUyMHdpbmRvdyUzQyUyRmlmcmFtZSUzRQ==[\/vc_raw_html][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><b>Exposi\u00e7\u00e3o Individual<\/b><br \/>\n20 de Jul 2024 \u2013 14 de Ago 2024<\/p>\n<p><em>Luis Maluf Galeria<br \/>\nRua Brigadeiro Galv\u00e3o, 996<br \/>\nBarra Funda, S\u00e3o Paulo<\/em><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":15343,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[165],"tags":[281,282,283,284,285],"class_list":["post-15336","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-past","tag-arte-instalativa-en","tag-ceramica-en","tag-ecofeminismo-en","tag-licida-vidal-en","tag-meio-ambiente-en"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/luismaluf.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15336","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/luismaluf.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/luismaluf.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/luismaluf.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/luismaluf.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15336"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/luismaluf.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15336\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/luismaluf.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15343"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/luismaluf.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15336"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/luismaluf.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15336"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/luismaluf.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15336"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}