{"id":19437,"date":"2023-08-17T09:57:08","date_gmt":"2023-08-17T12:57:08","guid":{"rendered":"https:\/\/luismaluf.com\/current\/como-produzir-tensao\/"},"modified":"2023-08-17T09:57:08","modified_gmt":"2023-08-17T12:57:08","slug":"como-produzir-tensao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/luismaluf.com\/en\/past\/como-produzir-tensao\/","title":{"rendered":"Como produzir tens\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row thb_full_width=&#8221;true&#8221; el_class=&#8221;align-justify&#8221;][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_column_text animation=&#8221;animation left-to-right&#8221;]Marcia Pastore<\/p>\n<h1>Como produzir tens\u00e3o<\/h1>\n[\/vc_column_text][vc_separator][vc_column_text animation=&#8221;animation bottom-to-top&#8221;]\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>26 de agosto a<br \/>\n30 de setembro de 2023<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Usina Luis Maluf<br \/>\nBrigadeiro Galv\u00e3o, 996<\/em><\/p>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243; css=&#8221;.vc_custom_1678972569582{padding-left: 30px !important;background-position: center !important;background-repeat: no-repeat !important;background-size: contain !important;}&#8221;][vc_empty_space mobile_height=&#8221;30px&#8221; height=&#8221;0px&#8221;][vc_column_text animation=&#8221;animation bottom-to-top&#8221;]<strong>Marcia Pastore: como produzir tens\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Um longo fio de nylon. Enroladas por ele, as pernas da artista aparecem em um constante contraponto entre tens\u00e3o e relaxamento. O mecanismo contido parece estar em uma busca incessante pela expans\u00e3o, que marca e recria nossa percep\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00f3pria carne. Como defende o fenomen\u00f3logo franc\u00eas Merleau-Ponty, toda percep\u00e7\u00e3o \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o de um corpo situado radicalmente no mundo. Dessa forma, n\u00e3o existe o que alguns definem como ser humano interior, o ser humano est\u00e1 no mundo e \u00e9 no mundo exterior que ele se reconhece. \u00c9 por meio do estiramento entre mat\u00e9rias que percebemos o lugar que ocupamos e \u00e9 sobre essa vis\u00e3o que somos conduzidos por entre as produ\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas de Marcia Pastore que ocupam a Usina Luis Maluf, em sua primeira exposi\u00e7\u00e3o individual como artista representada pela galeria paulistana.<\/p>\n<p>Se temos o corpo como centro da representa\u00e7\u00e3o art\u00edstica desde o Renascimento, \u00e9 na contemporaneidade que tal mat\u00e9ria deixa os moldes e a busca incessante pelas propor\u00e7\u00f5es \u00e1ureas para atuar em seu \u00e2mago verdadeiro. \u00c9 a partir da perda do tecido, da rela\u00e7\u00e3o deste com o tempo e o desgaste da forma, que ele abdica das perfei\u00e7\u00f5es para ser o que \u00e9. Mais do que isso, \u00e9 na intercorporeidade que se estruturam suas modifica\u00e7\u00f5es e sentidos. As a\u00e7\u00f5es de nosso ser mostram a complexidade f\u00edsica que ele se prop\u00f5e \u2013 e isso aparece logo na entrada desta exposi\u00e7\u00e3o, na obra site specific, parte da s\u00e9rie hom\u00f4nima Como produzir tens\u00e3o. No sal\u00e3o principal, tubos de ferros coletados em ferros velhos pela artista reafirmam o papel importante de deslocamento no uso dos materiais e a mudan\u00e7a causada em tudo que interagimos, seja vivo ou inanimado. Preso a eles, cintas de amarra\u00e7\u00e3o comumente usadas em transportes de cargas envolvem tais objetos escult\u00f3ricos espelhando as tesouras do iluminado galp\u00e3o, localizado na Barra Funda. Aqui est\u00e1 outro importante ponto de reflex\u00e3o sobre a obra de Pastore: sua instigante rela\u00e7\u00e3o de peso e balan\u00e7o com o espa\u00e7o expositivo e a arquitetura que comp\u00f5em o territ\u00f3rio que envolve suas produ\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Desde o fim da d\u00e9cada de 1980, a artista investiga a rela\u00e7\u00e3o entre corpo, espa\u00e7o e formas tridimensionais diversas, usando a hist\u00f3ria e a arquitetura dos ambientes como maneiras de expandir suas reflex\u00f5es. Revisita tradi\u00e7\u00f5es escult\u00f3ricas usadas em tempos remotos, unindo-as aos saberes atuais de maneira t\u00e9cnica e, por vezes, intuitiva. Para essas produ\u00e7\u00f5es, a artista n\u00e3o parte de tra\u00e7ados pr\u00e9vios, mas do real embate entre mat\u00e9rias-primas utilizadas, produzindo uma articula\u00e7\u00e3o org\u00e2nica entre elas. O resultado coloca a presen\u00e7a humana como eminente ou como rastros de algo que esteve ou passou por ali. Na aus\u00eancia se reconhece o corpo e a vida.<\/p>\n<p>Essa rela\u00e7\u00e3o de profunda interdepend\u00eancia com o meio que habita revela-se em outras s\u00e9ries ou fam\u00edlias criadas por Pastore, como em Exerc\u00edcio de for\u00e7a e dire\u00e7\u00e3o, composta por linha, agulhas, im\u00e3s e a\u00e7o, e que mimetizam de certa forma a estrutura que forma o teto industrial do espa\u00e7o. J\u00e1 em Esculturas m\u00ednimas, apresentada no mezanino da galeria, formas corp\u00f3reas fundidas em bronze flutuam penduradas por cabos de a\u00e7o em cima de seus contrapontos em cer\u00e2mica, instalados no ch\u00e3o. Tal equil\u00edbrio favorece a sensa\u00e7\u00e3o de gravidade e refor\u00e7a a rela\u00e7\u00e3o entre positivo e negativo, molde e contramolde, cheio e vazio, equa\u00e7\u00e3o sempre presente na expressiva pesquisa da artista. Outro ponto latente e que volta \u00e0 discuss\u00e3o nas produ\u00e7\u00f5es de 2022 e 2023, incluindo a da obra em quest\u00e3o, \u00e9 a escolha de materiais ordin\u00e1rios e ressignificados, como metais, pedras, fitas e gesso. Tal elei\u00e7\u00e3o leva seu percurso de encontro ao movimento povero, do in\u00edcio dos anos 60, que se mostrava atento \u00e0 compreens\u00e3o subjetiva da mat\u00e9ria no espa\u00e7o e \u00e0 experi\u00eancia do humano \u00e0s linguagens culturais, assim como se prop\u00f5em Pastore.<\/p>\n<p>A estrutura corp\u00f3rea da pr\u00f3pria artista serve muitas vezes como guia para a condu\u00e7\u00e3o de sua narrativa. Em Pontos de contato, chapas met\u00e1licas com as dimens\u00f5es de Pastore s\u00e3o fracionadas e reunidas por articula\u00e7\u00f5es fundidas a partir de moldes de seu corpo. Em outro momento, s\u00e3o suas m\u00e3os que deixam o contramolde ser preenchido por materiais como massa de modelar. Seu trabalho torna-se um instigante acordo entre as vontades da artista e do pr\u00f3prio material trabalhado. A tens\u00e3o se expande pela tridimensionalidade de obras propostas a levar o espectador ao confronto com o pr\u00f3prio corpo e a inevit\u00e1vel passagem do tempo, da perda e da transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Ana Carolina Ralston<\/strong><br \/>\n<em>curadora<\/em><\/p>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row thb_full_width=&#8221;true&#8221; el_class=&#8221;align-justify&#8221;][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_column_text animation=&#8221;animation left-to-right&#8221;]Sobre o artista<\/p>\n<h1>Marcia Pastore<\/h1>\n[\/vc_column_text][vc_separator][\/vc_column][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243; css=&#8221;.vc_custom_1678972569582{padding-left: 30px !important;background-position: center !important;background-repeat: no-repeat !important;background-size: contain !important;}&#8221;][vc_empty_space mobile_height=&#8221;30px&#8221; height=&#8221;0px&#8221;][vc_column_text animation=&#8221;animation bottom-to-top&#8221;]Ao longo de mais de tr\u00eas d\u00e9cadas, Marcia Pastore (1964, S\u00e3o Paulo, Brasil) tem desenvolvido uma pr\u00e1tica calcada na investiga\u00e7\u00e3o das possibilidades pl\u00e1sticas dos materiais. Para isso, ela investe na pluralidade, empregando desde estruturas pr\u00e9-fabricadas como roldanas, sargentos, prumos, \u00e0 mat\u00e9rias informes, como o gesso, o breu e a parafina, assim como metais moldados em processos de fundi\u00e7\u00e3o. A intera\u00e7\u00e3o entre as propriedades desses elementos resulta em opera\u00e7\u00f5es espaciais que simultaneamente o ocupam e reformulam a partir do agenciamento das linguagens tridimensionais da escultura, da instala\u00e7\u00e3o e da arquitetura.<\/p>\n<p>A moldagem sobressai como principal opera\u00e7\u00e3o do vocabul\u00e1rio de Marcia Pastore, servindo tanto como estrat\u00e9gia produtiva, quanto como met\u00e1fora que descreve a a\u00e7\u00e3o de seu trabalho no p\u00fablico, convocando-o para uma esp\u00e9cie de dan\u00e7a com as estruturas que ocupam o espa\u00e7o. O corpo, por sua vez, \u00e9 central em sua pr\u00e1tica, seja pela dimens\u00e3o indicial dos gestos que organizam a mat\u00e9ria, pelas pe\u00e7as moldadas sobre sua pr\u00f3pria pele, ou pela escala antropom\u00e9trica dos trabalhos. O car\u00e1ter processual de suas experimenta\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m se expressa nas fotografias e v\u00eddeos elaborados como registros de suas a\u00e7\u00f5es no ateli\u00ea, sem perder sua pot\u00eancia po\u00e9tica.<\/p>\n<p>Marcia Pastore realiza exposi\u00e7\u00f5es individuais desde 1990, quando inaugurou mostra no Museu de Arte Contempor\u00e2nea da Universidade de S\u00e3o Paulo (MAC USP), em S\u00e3o Paulo, Brasil. Entre as mostras da artista, destacam-se as individuais: <em>Dobros<\/em>, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-RJ), no Rio de Janeiro, Brasil (2010); <em>Corpo de prova, <\/em>no Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia (MuBE), em S\u00e3o Paulo, Brasil (2017); <em>Contracorpo, <\/em>na Pinacoteca, em S\u00e3o Paulo, Brasil (2019); e <em>Estrutura exposta, <\/em>na Funda\u00e7\u00e3o Ema Klabin, em S\u00e3o Paulo, Brasil (2021). Participa\u00e7\u00e3o em mostras coletivas inclui: <em>Em branco, <\/em>no Instituto Figueiredo Ferraz, em Ribeir\u00e3o Preto, Brasil (2021); <em>Oito d\u00e9cadas de abstra\u00e7\u00e3o informal 1940\/2010<\/em>, na Casa Roberto Marinho, no Rio de Janeiro, Brasil (2018); <em>Arte contempor\u00e2nea no acervo Municipal<\/em>, no Centro Cultural S\u00e3o Paulo (CCSP), em S\u00e3o Paulo, Brasil (2004); <em>O Esp\u00edrito da Nossa \u00c9poca \u2013 cole\u00e7\u00e3o Dulce e Jo\u00e3o Carlos de Figueiredo Ferraz<\/em>, no Museu de Arte Moderna (MAM-SP), em S\u00e3o Paulo, e no Museu de Arte Moderna (MAM Rio), do Rio de Janeiro, Brasil (2001); <em>5 artistas de S\u00e3o Paulo<\/em>, no Pal\u00e1cio das Artes, em Belo Horizonte, Brasil (1989). Seus trabalhos integram as cole\u00e7\u00f5es da Pinacoteca, S\u00e3o Paulo, Brasil; do Museu de Arte Moderna (MAM-SP), S\u00e3o Paulo, Brasil; da Funda\u00e7\u00e3o Marcos Amaro (FAMA Campo), Mairinque, Brasil; e do Museu de Arte Contempor\u00e2nea da Universidade de S\u00e3o Paulo (MAC USP), S\u00e3o Paulo, Brasil; entre outras.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row css=&#8221;.vc_custom_1694380558000{padding-bottom: 15vh !important;}&#8221;][vc_column][vc_raw_html]JTNDaWZyYW1lJTIwc3R5bGUlM0QlMjJ3aWR0aCUzQSUyMDEwMCUyNSUzQiUyMiUyMHNyYyUzRCUyMmh0dHBzJTNBJTJGJTJGbXkubWF0dGVycG9ydC5jb20lMkZzaG93JTJGJTNGbSUzRDk1OTh2eWd6c010JTI2cGxheSUzRDElMjYlMjZ0cyUzRDMwJTNCYW1wJTI2cXMlM0QwJTNCYW1wJTI2JTI2bHAlM0QxJTIyd2lkdGglM0QlMjI4NTMlMjIlMjBoZWlnaHQlM0QlMjI1NDAlMjIlMjBmcmFtZWJvcmRlciUzRCUyMjAlMjIlMjBhbGxvd2Z1bGxzY3JlZW4lM0QlMjJhbGxvd2Z1bGxzY3JlZW4lMjIlM0VGaWxsJTIwYnJvd3NlciUyMHdpbmRvdyUzQyUyRmlmcmFtZSUzRQ==[\/vc_raw_html][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><b>Marcia Pastore<\/b><br \/>\n26 de Ago 2023 \u2013 30 de Set 2023<\/p>\n<p><em>Usina Luis Maluf<br \/>\nBrigadeiro Galv\u00e3o, 996<\/em><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":14140,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[165],"tags":[333],"class_list":["post-19437","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-past","tag-marcia-pastore"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/luismaluf.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19437","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/luismaluf.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/luismaluf.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/luismaluf.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/luismaluf.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19437"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/luismaluf.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19437\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/luismaluf.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14140"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/luismaluf.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19437"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/luismaluf.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19437"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/luismaluf.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19437"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}