Relíquias, Vermelho Steam

VERMELHO STEAM

RELÍQUIAS, VERMELHO STEAM

14 de Ago – 25 de Set 2021
Centro Cultural São Paulo (CSSP), Rua Vergueiro, 1000
Liberdade – SP

Quando um ciclo se rompe, uma série de fenômenos que ocorreriam em uma determinada ordem é estagnada. Ao longo dos últimos dois anos, Vermelho Steam se dedicou a uma exposição que foi interrompida pela finalização de um ciclo. A perda do artista, falecido em abril de 2021, em decorrência de complicações associadas à Covid-19, fecha uma porta para quem ficou, e abre outra: a do vazio pela ausência.

Com curadoria de Luis Maluf, Relíquias é um projeto que teve apoio da família de Vermelho, representada por sua mãe, Helena Melo; seu irmão, Marcelo Melo; e primas, além de amigos muito íntimos que estiveram ao lado do artista durante sua vida profissional e íntima, como João Cunha, William Pereira, Jey, Vincent Jean-Baptiste Guilmoto, Enivo e Dra. Ana Claudia Quintana, psicóloga e amiga de Vermelho que, além de acompanhar sua produção, escreveu os principais textos a seu respeito. Foram muitas dessas pessoas que tiveram acesso às criações das últimas obras do artista.

A exposição revela a força de um pensamento artístico mais acessível defendido por Vermelho, que propunha a conexão com todos, seja nos espaços públicos, nas galerias, museus ou internet. Com uma produção carregada de referências e alegorias, o artista transitava pelo expressionismo alemão, pela estética dos teatros de bonecos do leste europeu do século XX, passando também pelo cinema e animação. Seu nome artístico, referência à sua cor favorita, também era justificado como a dualidade do sangue e da paixão, do drama e da felicidade – elementos que faziam parte de sua produção artística, como reforça Luis Maluf.

A mostra é acompanhada pela exibição de um minidocumentário, retratando a busca incessante de Vermelho Steam por peças de garimpo, como chaves, selos, relógios, molduras e objetos carregados de história, muito usados pelo artista. Neste material também serão exibidas obras inéditas, guardadas cuidadosamente, como relíquias. “Essa conexão entre a memória e a representação do sentimento é o que traduz o trabalho do artista e convida o interlocutor a adentrar este universo onírico”, completa Luis Maluf.

 

Relíquias, Vermelho Steam está em cartaz no Centro Cultural São Paulo (Rua Vergueiro, 1000) até o dia 25/09, das 11 às 18h (de terça a domingo), e é gratuita.

Não deixe de fazer sua visita de forma segura, seguindo os protocolos de saúde, como o distanciamento social, higienização das mãos e o uso de máscara.

SOBRE O ARTISTA

Vermelho Steam (1975-2021), nasceu na cidade de São Paulo.

Suas primeiras inspirações vieram dos desenhos animados e histórias em quadrinhos. Após cursar desenho do comunicação nos anos 90 passou a desenvolver seu estilo autoral que possui uma ampla carga de alusões e referências, que vão do teatro de bonecos do leste europeu do século XX ao expressionismo alemão, o cinema e a animação.

Em sua busca por introduzir um caráter lúdico e nostálgico às obras, Vermelho Steam “garimpa” inúmeros materiais para enriquecer os trabalhos: selos, molduras, engrenagens, objetos antigos. As temáticas da era vitoriana e do steampunk induzem o espectador à um mundo de fábulas com cenários carregados de detalhes e novos personagens que nos parecem tanto familiares quanto desconhecidos. Os inúmeros recortes criam narrativas visuais imersivas que são convidativas à divagação e ao sonho.

Sua obra conecta-se ao contemporâneo a partir da materialidade inusitada das peças e da familiaridade trazida por suas referências. Vermelho acredita na força da arte democrática, que pode ser vista por todos, seja nas ruas, nas galerias ou na internet. Seu trabalho é um convite à uma ficção que nos transporta para novos lugares e nos afasta por alguns instantes das friezas do mundo real. Esta, nas palavras do artista, é a “hora mágica” que só a arte pode conceder.