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Exposição Individual

08 de outubro a 04 de novembro de 2026

Galeria Luis Maluf
Rua Brigadeiro Galvão, 996
Barra Funda, São Paulo, SP

Desalinhos: a abstração geométrica irreverente de Antonio Bokel

Em sua produção recente, Antonio Bokel ligou-se à tendência da abstração geométrica na arte brasileira, mas sem aderir a princípios antigos nem às ideias de artistas históricos. Esta exposição reúne justamente esse percurso dos últimos dois anos: esculturas, instalações e pinturas que contestam o equilíbrio do mundo geométrico. Formas geométricas, planos e cores chapadas deixam de ter sua aura de mundo ideal e são colocados em novas situações, muitas vezes lúdicas ou bem-humoradas.

O artista põe em xeque esse plano da perfeição ao inserir nas obras galhos, rochas, mãos, espelhos e até mesmo círculos. Ou com outras ações: recortar, deslocar, desalinhar, interromper, cortar, fender e subtrair. São, no geral, procedimentos simples, que afastam o caráter objetivo e inquestionável das formas geométricas. Com esses recursos, ele suscita problemas mais amplos. Entre outras questões, fica evidente que a razão geométrica tem alcance limitado e sustentação frágil.

Com essa postura não ortodoxa em relação à geometria, Bokel aproxima-se de outros artistas contemporâneos que também dialogam com essa corrente artística de maneira criativa, revitalizando-a. Raul Mourão, Ana Holck, Macaparana, Juan Parada, Ana Maria Tavares, Estela Sokol e Artur Lescher, por exemplo, incorporam-na em seus trabalhos e lhe atribuem novos significados. Para eles e para Bokel, a tendência da abstração geométrica deve ser indagada.

Antonio Bokel comentou, em uma visita minha ao seu ateliê, que “a função do artista é quebrar a automatização do previsível, do prático”, destacando que essa também é a tarefa da poesia. É o que suas obras fazem com a geometria: frustram a expectativa de ordem e rigor que a forma exata parece conter. Os elementos são deslocados, o alinhamento é rompido, a continuidade é interrompida. Ao aproximar sua obra da abstração geométrica, o artista optou por não reverenciar o passado nem seguir tradições cegamente. Sendo irreverente com essa linguagem, tem construído obras que revelam o descontrole como parte da vida.

Luis Sandes
Curador, escritor e pesquisador. Doutor em História da Arte pela USP.