Rotas SP-Arte 2026

26 – 30 de agosto de 2026

Estande D1
Arca – São Paulo

A apresentação da Galeria Luis Maluf na Rotas SP–Arte 2026 traz o projeto “Sinestesia”, um recorte que reúne artistas representadas pela galeria, como Fernanda Pompermayer, Karola Braga e Shizue Sakamoto, entre outros, cujas práticas exploram a percepção por diferentes vias, como o tato, o olfato, o paladar e a cor. O projeto toma a sinestesia como eixo conceitual, entendendo-a como uma experiência estética em que diferentes formas de percepção se atravessam e ampliam a relação entre a obra e o espectador, para além de sua definição como fenômeno neurológico.

Confira também obras de Aline Moreno, Antonio Bokel, Arthur Siebra, Bruno Vilela, Bu’ú Kennedy, Deco Adjiman, Delson Uchôa, Edu Silva, Guilherme Santos da Silva, Janet Vollebregt, Mavi Accorsi, Raphael Oboé, e Raphael Sagarra – Finok.

Exposição Individual

22 de agosto a 23 de setembro de 2026 de 2026.

Galeria Luis Maluf
Rua Brigadeiro Galvão, 996
Barra Funda, São Paulo, SP

La galaxia entera cabe en una gota de saliva
Una gota de saliva ocupa la Quinta Avenida
La Quinta Avenida cabe en un piercing
Y un piercing ocupa una pirámide
(La Yugular, Rosalía)

A recente produção de Fernanda Pompermeyer (1993, Curitiba, Paraná) se localiza em um “espaço-entre”, uma linha tênue que separa e, ao mesmo tempo, integra a vastidão do universo astronômico e a pequenez do mundo terreno. A artista nos apresenta formas como nuvens, estrelas e cometas que, quando agrupadas, resultam em peças que figuram corpos celestes, constelações, galáxias e cenas um tanto oníricas. Mas há também um interesse pela delicadeza do mundano, por esse universo miúdo e vivo, composto por paisagens onde convivem animais, flores e frutos. Para criar essas peças, que remetem tanto ao que há de mais grandioso e infinito quanto àquilo que nos é próximo e cotidiano, a artista se utiliza da visualidade do banal e do acessório: o universo do bibelô, do ornamento, daquilo que não tem função alguma além de adornar.

Mas, enquanto o bibelô, como o conhecemos, nasce de um processo de produção massificado que tem como objetivo criar peças uniformizadas, Pompermeyer busca imprimir na cerâmica a sua gestualidade, ressaltando a imperfeição das marcas do fazer manual que o processo industrial tende a planificar. Por isso, suas peças se constituem a partir de fragmentos, cacos e pequenas peças que são trompe-l’œil de louças quebradas, que a artista utiliza em encaixes, recompondo-as até criar imagens dinâmicas e complexas, de dimensões variadas.

Assim como as cerâmicas, são composições orgânicas as colagens em papel que apresenta pela primeira vez. Esse novo tônus de sua produção nasce principalmente de sua temporada recente em uma residência artística no Japão, de onde também vêm os papéis que utilizou para esses trabalhos. Neles, pedaços de embalagens e folhas de presente misturam-se a papéis nobres, resultando em imagens que formam um delicado jogo de abstração e apresentam ao universo bidimensional uma lógica até então explorada apenas tridimensionalmente.

Nesse sentido, “Uma coisa leva à outra”, título da mostra, é uma metáfora sobre a experiência de traduzir um mesmo processo em diferentes linguagens, mas também um comentário sobre a organicidade do pensamento e da maneira de compor esses trabalhos. Se, nas cerâmicas, a artista parte de pequenos fragmentos para construir imagens, nas colagens esse mesmo princípio se desdobra sobre o plano, fazendo com que recortes e sobreposições criem novas tonalidades e texturas. Em ambos os casos, é a partir da associação entre coisas aparentemente distantes que se constitui seu campo de experimentação, sempre em expansão: um universo que, assim como o celestial, tem em cada fragmento, em cada partícula de matéria, uma parte de um todo.

Thierry Freitas

Exposição Individual

27 de junho a 16 de setembro de 2026

Galeria Luis Maluf
Rua Peixoto Gomide, 1887
Jardins, São Paulo, SP

A chama que apaga, acende também

O samba Sempre Acesa, conhecido com o grupo Quinteto em Branco e Preto com participação de Beth Carvalho, foi composto por Luiz Carlos da Vila em parceria com o cantor e compositor Sombra. A canção, que foi lançada no ano de 2000 no álbum Riqueza do Brasil, trata, ao mesmo tempo, de uma postura madura diante do fim e da esperança nos recomeços.

A letra canta a compreensão de um amor que se findou e cumpriu seu papel, os caminhos que seguem e a capacidade de amar novamente. A crescente na voz da intérprete ao cantar que a gente tem é que tentar ser feliz é acompanhada pelo som da cuíca que, melancolicamente, revela nuances da complexidade dessa simples tarefa que é viver e renovar as possibilidades de alegria.

Guilherme Santos da Silva, pintor, reconhece na cadência do samba e nas letras que formam a canção, uma compreensão de seu ofício, o ritmo que toma os dias e relembra os caminhos que o corpo transforma em gestos na tela. O artista olha para as riquezas do Brasil e, assim, volta sua atenção para os percursos, condições e operações que tornam possível o ofício do pintor. Em sua prática, a técnica não se restringe a um conjunto de procedimentos nem aos limites dos gêneros pictóricos ou dos modos de representação. Ela se apresenta como um campo de tensão capaz de confrontar modelos estabelecidos de tradição.

Em Sempre Acesa, primeira individual na Galeria Luis Maluf, Guilherme Santos da Silva dá continuidade ao seu projeto poético que entende a geometria como um campo de articulação entre a experiência biográfica – individual e compartilhada – e a construção visual.

Outro dia já vem.

As nuances dos tons de azul se revelam diante dos nossos olhos e aos poucos, ao sabor do vento, vamos percebendo o movimento que a pintura Sempre Acesa guarda. Me coloco diante da obra que empresta o título da exposição como quem observa um imenso corpo de água ao amanhecer: o horizonte se revela na chegada da aurora. A luz que aponta o início da manhã se anuncia pela sugestão da gradação de cores e nossas pupilas vão se familiarizando com os gestos do artista na superfície e alcançando, sem pressa, as nuances, relações cromáticas e a fatura que Guilherme, pintor de ofício, nos deixa ver.

Enquanto eu puder sonhar, Eu não vou desistir.

A pintura, para além do trabalho e linguagem, se revela também como um ato de renovação e, por isso, insistência. Guilherme Santos Silva sintetiza paisagens e sentimentos, a busca de um lugar comum e o dinamismo do vento, em pinturas que são gestos de fé na vida e na arte: sempre acesa, chama que se renova.

Lorraine Mendes

Feira Nacional

27 – 31 de maio de 2026

Booth A1
Mercado Livre Arena Pacaembu

A Galeria Luis Maluf participa da ArPa 2026, no estande A1, com trabalhos de Arthur Siebra e Raphael Oboé. Enquanto Arthur elabora narrativas simbólicas sobre a condição humana por meio de paisagens de atmosfera mística, vinculadas ao imaginário brasileiro e nordestino, Oboé investiga a ancestralidade latino-americana através da cerâmica, resgatando memórias familiares e refletindo sobre processos de miscigenação e apagamento identitário. Em ambos, a arte surge como espaço de reconexão entre experiência íntima, território, espiritualidade e história coletiva.

Apresentamos também uma seleção especial de obras do artista Bu’ú Kennedy em diálogo com peças de mobiliário da coleção Art of Living, de nossa parceira Bottega Veneta, que evidenciam o trabalho artesanal em couro feito à mão.

Exposição Individual

16 de maio a 08 de agosto de 2026.

Galeria Luis Maluf
Rua Brigadeiro Galvão, 996
Barra Funda, São Paulo, SP

Texto curatorial

“Gostaria de abordar a importância de estarmos atentos ao invisível, porém sensível: a energia. Aquilo que não vemos (e sobre o que não falamos) determina muito do que fazemos e criamos. Gostaria de oferecer às pessoas ferramentas para que possam perceber e melhorar o fluxo de energia.” JV

A obra de Janet Vollebregt assemelha-se a uma força de Coriolis interagindo com a circulação atmosférica global. Com a exposição Fluxos, ela imerge o público numa obra de arte participativa onde nos fala de energia regenerativa. Esta arquiteta de formação sabe como ninguém se apropriar dos espaços, nos quais as instalações e esculturas apresentadas são odes às filosofias orientais, combinadas com o espírito das pedras, ou mesmo com a revolução neoconcreta humanista e sensorial brasileira.

“Nesta exposição, gostaria de me concentrar no trabalho com energia, aprimorando o fluxo energético tanto no espaço quanto nas pessoas que o ocupam, usam ou transitam por ele. Este sempre foi o tema principal do meu trabalho, desde que cursei Arquitetura na Universidade de Tecnologia de Delft. Além da Arquitetura, estudei Feng Shui chinês (funcionamento da energia no espaço) e Jin Shin Jyutsu japonês (funcionamento da energia no corpo e ao seu redor), o que me levou a estudar também filosofia e religiões japonesas. Meus trabalhos carregam e comunicam influências desses estudos.” JV

A visão da artista para essa exposição de tipo museal é uma verdadeira jornada que, além do poder estético das obras apresentadas, oferece uma experiência sensorial, distanciando os visitantes do cotidiano e conduzindo-os ao espiritual. Da entrada da galeria com o “Jin Shin Jyutsu Parlour” (Salão de Jin Shin Jyutsu) aos “Prayer wheels” (Cilindros de Oração) e seus “Energy benders” (Dobradores de Energia), ela nos fala de uma arte que se funde com a vida e o corpo.

“Meu trabalho oferece ferramentas para tomar consciência do mundo energético” JV

Em seu fluxo criativo, permeado por referências filosóficas chinesas e japonesas, sua imersão no Brasil faz com que, apesar de não estar intimamente familiarizada com a obra da grande Lygia Clark (1920-1988), a obra de Janet segue o mesmo espírito. Assim como essa figura fundamental da arte contemporânea brasileira, Janet busca fazer de sua obra um organismo vivo, e não um mero objeto estático. Tanto Lygia quanto Janet redefinem a arte ao transformar o espectador passivo em participante ativo, colocando a interação sensorial e corporal no centro de seus trabalhos. Seus objetos relacionais visam “desmistificar” a arte, conectando-a simultaneamente a uma filosofia civilizacional.
Com a exposição Fluxos Janet desafia as fronteiras artísticas, psicológicas e sociais por meio de experiências sensoriais e relacionais. Ela promove situações que envolvem os participantes em uma relação íntima com seus objetos (Salão Jin Shin Jyutsu, cilindros de oração, João Zen, etc.), incentivando a reconexão consigo mesmo e com os outros. Sua abordagem participativa está enraizada em um contexto político e estético de libertação corporal e expressão individual, libertando a expressão artística para transformar o cotidiano.

Talismã
Janet menciona a palavra talismã ao falar sobre seus cilindros de oração. A filosofia por trás de um talismã reside na canalização de energias benéficas e na materialização de uma intenção ou desejo, atuando como uma ponte entre o mundo material e planos superiores ou sagrados. A exposição de Janet Vollebregt foi concebida, como um talismã, para atrair, proteger e realizar um convite para que o público recarregue as suas energias. Suas esculturas e instalações visam interagir com forças ocultas, como contratos entre humanos e ‘divindades’ (fluxos de energias positivas). As obras que Janet apresenta são ferramentas para a emancipação pessoal, destinadas a ajudar a dissipar certas dúvidas e a forjar proteção psicológica. Fluxos é mais do que uma exposição, é um poderoso manifesto para uma civilização em declínio.

Marc Pottier
Curador

Exposição Coletiva

08 de maio a 17 de junho 2026

Galeria Luis Maluf
Rua Peixoto Gomide, 1887
Jardins, São Paulo, SP

Confira, em nossa unidade Jardins, uma mostra especial realizada em parceria com a Dobra Gallery, galeria itinerante brasileira de arte e design.

Como parte de um grupo mais amplo que também inclui a casa de leilões brasileira Leilão Design, a Dobra atua como o braço dedicado à prospecção de obras, vendas privadas, parcerias institucionais e workshops. Essa estrutura dual permite ao grupo conectar o dinamismo do mercado de leilões com oportunidades personalizadas e orientadas por relacionamento, ampliando o alcance e o impacto da arte e do design brasileiros no cenário internacional.

A exposição propõe um diálogo entre obras do acervo da Galeria Luis Maluf e um mobiliário cuidadosamente selecionado entre o que há de mais relevante no mercado de design moderno. Descubra trabalhos de Aline Moreno, Daniela Busarello, Edu Silva, Fernanda Pompermayer, Guilherme Santos da Silva, Janet Vollebregt, Karola Braga, Shizue Sakamoto e Zanini de Zanine, em articulação com peças de mobiliário assinadas por Carlo Hauner & Martin Eisler, Joaquim Tenreiro, José Zanine Caldas, Sérgio Rodrigues, entre outros.

Feira Nacional

08 – 12 de abril de 2025

Booth G4
Bienal de S. Paulo – Ibirapuera

SP-ARTE 2026

A apresentação da Galeria Luis Maluf na SP-Arte 2026 parte de um gesto contínuo: construir espaço para artistas cujas práticas tensionam o presente e deslocam expectativas formais, estéticas e simbólicas.

A seleção propõe encontros entre diferentes gerações e modos de fazer, nos quais a matéria incorpora pensamento, o gesto reconfigura a linguagem e o risco se estabelece como estrutura. Reúnem-se obras que não buscam consenso, mas investigação — sobre imagem, corpo, espaço e permanência. Ancorada nos pilares de educação, fomento e incentivo, a galeria reafirma sua atuação como campo de escuta e articulação entre artistas, públicos e narrativas que escapam ao lugar-comum.

Neste ano, a Luis Maluf inicia uma parceria com a Bottega Veneta, que apresenta, no espaço da galeria, uma seleção de peças de mobiliário de sua coleção Art of Living. A iniciativa marca a introdução oficial desse segmento da marca no Brasil, evidenciando a expansão de sua atuação para além da moda. Desenvolvidas a partir do trabalho artesanal em couro — elemento central da casa italiana —, as peças ocupam o espaço em diálogo com a produção artística exibida. A proposta constrói uma narrativa que aproxima design e arte contemporânea, destacando o valor do fazer manual e da materialidade.

No estande G4, a galeria apresenta obras de Aline Moreno, Antonio Bokel, Bruno Vilela, Bu’ú Kennedy, Daniela Busarello, Deco Adjiman, Delson Uchôa, Edu Silva, Fernanda Pompermayer, Finok, Guilherme Santos da Silva, Janet Vollebregt, Karola Braga, Leandra Espírito Santo, Raphael Oboé, Shizue Sakamoto e Vhils.

Exposição Individual

28 de março a 05 de maio de 2026

Galeria Luis Maluf
Rua Brigadeiro Galvão, 996
Barra Funda, São Paulo, SP

A Suspensão da Descrença

Com texto curatorial de Marcelo Coutinho, a exposição A Suspensão da Descrença apresenta a nova série de trabalhos do artista visual pernambucano Bruno Vilela. As obras falam do duplo olhar, dos reflexos e da integração entre os opostos. O espaço arquitetônico como personagem, animais misteriosos e luz dramática. A profundidade da cor. A dimensão cinematográfica na pintura. A poética do espaço.

Catálogo da exposição