Exposição Individual

28 de novembro a 18 de dezembro de 2026

Galeria Luis Maluf
Rua Brigadeiro Galvão, 996
Barra Funda, São Paulo, SP

Um olhar sobre o tédio

O libertino não triunfa apenas porque goza, mas porque debocha do próprio prazer como um bom gozador.

Porquanto o temível triunfo do desejo, diria Freud, resulta inevitavelmente em tédio, melhor do que pateticamente insistir em alguma potência do desejo é gozar da impotência do tédio – e debochar de todas as formas de amor através de uma pintura da débauche.

Mas de onde vem esse deboche? No mesmo êxtase de Willem de Kooning e de Chaïm Soutine, que penetram a fronteira entre o figurativo e o abstrato até que o figurativo se contorça em gozo abstrato, a pintura de Daniel Lannes afirma seu caráter único no debochado intercurso entre o belo e o bizarro, entre o sagrado e o profano, entre o sensual e o grotesco, entre a reverência pelo cânone histórico e o cômico teatro do patético – erotizando e excitando a coincidentia oppositorum até o limite, até que a tensão erótica se dissolva numa violenta harmonia que convoca o olhar do espectador ao gozo do deboche universal. Destarte, a pintura de Lannes faz surgir o seu verdadeiro protagonista:

Desde a série Safe Sex, a libertinagem de Daniel Lannes é uma metaficção do voyeur: seu principal objeto não são os corpos nus, mas o metaficcional objeto-olhar do espectador. Na debochada pintura da coincidentia oppositorum, quem triunfa não é o desejo do pintor – malogrado em debochado tédio! –, mas o desejo do Outro: o olhar-desejo do espectador pintado no objeto-olhar que contempla a excitante contradição de sua própria sombra.

Em Tédio, desvela-se uma genealogia desse objeto-olhar, desde a sua origem divina em Adão, o primeiro libertino entediado. Abundam corpos nus no paraíso, mas a pintura de Lannes revela que a verdadeira beleza do sagrado está na sua profanação por um olhar invasivo: o olhar do espectador na Galeria de Arte do Éden.

Daniel Silva de Malafaia

Feira ArtPE

14 – 18 de outubro

Estande G33
Recife Expo Center
Cais Santa Rita, 156
Recife – Pernambuco

A Galeria Luis Maluf leva à feira Art PE obras de artistas de diferentes formações e linguagens, com o intuito de debater as múltiplas visões da contemporaneidade, aproximando o público pernambucano de obras e artistas que expandem fronteiras estéticas e culturais.

Confira no estande G33 obras dos artistas Aline Moreno, Antonio Bokel, Arthur Siebra, Bu’ú Kennedy, Deco Adjiman, Edu Silva, Fernanda Pompermayer, Finok, Guilherme Santos da Silva, Janet Vollebregt, Karola Braga, Mavi Accorsi, Shizue Sakamoto e Zanini de Zanine.

Exposição Individual

08 de outubro a 17 de novembro de 2026

Galeria Luis Maluf
Rua Brigadeiro Galvão, 996
Barra Funda, São Paulo, SP

Desalinhos: a abstração geométrica irreverente de Antonio Bokel

Em sua produção recente, Antonio Bokel ligou-se à tendência da abstração geométrica na arte brasileira, mas sem aderir a princípios antigos nem às ideias de artistas históricos. Esta exposição reúne justamente esse percurso dos últimos dois anos: esculturas, instalações e pinturas que contestam o equilíbrio do mundo geométrico. Formas geométricas, planos e cores chapadas deixam de ter sua aura de mundo ideal e são colocados em novas situações, muitas vezes lúdicas ou bem-humoradas.

O artista põe em xeque esse plano da perfeição ao inserir nas obras galhos, rochas, mãos, espelhos e até mesmo círculos. Ou com outras ações: recortar, deslocar, desalinhar, interromper, cortar, fender e subtrair. São, no geral, procedimentos simples, que afastam o caráter objetivo e inquestionável das formas geométricas. Com esses recursos, ele suscita problemas mais amplos. Entre outras questões, fica evidente que a razão geométrica tem alcance limitado e sustentação frágil.

Com essa postura não ortodoxa em relação à geometria, Bokel aproxima-se de outros artistas contemporâneos que também dialogam com essa corrente artística de maneira criativa, revitalizando-a. Raul Mourão, Ana Holck, Macaparana, Juan Parada, Ana Maria Tavares, Estela Sokol e Artur Lescher, por exemplo, incorporam-na em seus trabalhos e lhe atribuem novos significados. Para eles e para Bokel, a tendência da abstração geométrica deve ser indagada.

Antonio Bokel comentou, em uma visita minha ao seu ateliê, que “a função do artista é quebrar a automatização do previsível, do prático”, destacando que essa também é a tarefa da poesia. É o que suas obras fazem com a geometria: frustram a expectativa de ordem e rigor que a forma exata parece conter. Os elementos são deslocados, o alinhamento é rompido, a continuidade é interrompida. Ao aproximar sua obra da abstração geométrica, o artista optou por não reverenciar o passado nem seguir tradições cegamente. Sendo irreverente com essa linguagem, tem construído obras que revelam o descontrole como parte da vida.

Luis Sandes
Curador, escritor e pesquisador. Doutor em História da Arte pela USP.

Feira ArtRio

16 – 20 de setembro

AXIA Marina da Glória
Avenida Infante Dom Henrique S/N – Glória

A Galeria Luis Maluf apresenta na ArtRio uma seleção pautada pelo experimentalismo, pela diversidade e pelo diálogo entre diferentes gerações.
O projeto reúne artistas convidados e representados em torno de práticas que tensionam o presente e ampliam os limites da linguagem. As obras exploram relações entre corpo, matéria, imagem, espaço e permanência, valorizando o gesto e a investigação. Em vez de buscar consensos, a seleção privilegia o risco, a abertura e a construção de novos sentidos. O estande se afirma, assim, como espaço de encontro, escuta e articulação entre artistas, públicos e diferentes narrativas da arte contemporânea.

Confira obras dos artistas Aline Moreno, Antonio Bokel, Arthur Siebra, Bu’ú Kennedy, Deco Adjiman, Edu Silva, Fernanda Pompermayer, Finok, Guilherme Santos da Silva, Janet Vollebregt, Karola Braga, Mavi Accorsi, Shizue Sakamoto e Zanini de Zanine.

Feira ArtRio

16 – 20 de setembro

AXIA Marina da Glória
Avenida Infante Dom Henrique S/N – Glória

A Galeria Luis Maluf apresenta na ArtRio uma seleção pautada pelo experimentalismo, pela diversidade e pelo diálogo entre diferentes gerações.
O projeto reúne artistas convidados e representados em torno de práticas que tensionam o presente e ampliam os limites da linguagem. As obras exploram relações entre corpo, matéria, imagem, espaço e permanência, valorizando o gesto e a investigação. Em vez de buscar consensos, a seleção privilegia o risco, a abertura e a construção de novos sentidos. O estande se afirma, assim, como espaço de encontro, escuta e articulação entre artistas, públicos e diferentes narrativas da arte contemporânea.

Confira obras dos artistas Aline Moreno, Antonio Bokel, Arthur Siebra, Bu’ú Kennedy, Deco Adjiman, Edu Silva, Fernanda Pompermayer, Finok, Guilherme Santos da Silva, Janet Vollebregt, Karola Braga, Mavi Accorsi, Shizue Sakamoto e Zanini de Zanine.

Rotas SP-Arte 2026

26 – 30 de agosto de 2026

Estande D1
Arca – São Paulo

A apresentação da Galeria Luis Maluf na Rotas SP–Arte 2026 traz o projeto “Sinestesia”, um recorte que reúne artistas representadas pela galeria, como Fernanda Pompermayer, Karola Braga e Shizue Sakamoto, entre outros, cujas práticas exploram a percepção por diferentes vias, como o tato, o olfato, o paladar e a cor. O projeto toma a sinestesia como eixo conceitual, entendendo-a como uma experiência estética em que diferentes formas de percepção se atravessam e ampliam a relação entre a obra e o espectador, para além de sua definição como fenômeno neurológico.

Confira também obras de Aline Moreno, Antonio Bokel, Arthur Siebra, Bruno Vilela, Bu’ú Kennedy, Deco Adjiman, Delson Uchôa, Edu Silva, Guilherme Santos da Silva, Janet Vollebregt, Mavi Accorsi, Raphael Oboé, e Raphael Sagarra – Finok.

Exposição Individual

22 de agosto a 23 de setembro de 2026 de 2026.

Galeria Luis Maluf
Rua Brigadeiro Galvão, 996
Barra Funda, São Paulo, SP

La galaxia entera cabe en una gota de saliva
Una gota de saliva ocupa la Quinta Avenida
La Quinta Avenida cabe en un piercing
Y un piercing ocupa una pirámide
(La Yugular, Rosalía)

A recente produção de Fernanda Pompermayer (1993, Curitiba, Paraná) se localiza em um “espaço-entre”, uma linha tênue que separa e, ao mesmo tempo, integra a vastidão do universo astronômico e a pequenez do mundo terreno. A artista nos apresenta formas como nuvens, estrelas e cometas que, quando agrupadas, resultam em peças que figuram corpos celestes, constelações, galáxias e imagens um tanto oníricas. Mas há também um interesse pela delicadeza do mundano, por esse universo miúdo e vivo, composto por paisagens onde convivem animais, flores e frutos.

Para criar essas peças, que remetem tanto ao que há de mais grandioso e infinito quanto àquilo que nos é próximo e cotidiano, a artista se utiliza da visualidade do banal e do acessório: o universo do bibelô, do ornamento, daquilo que não tem função alguma além de adornar.

Mas, enquanto o bibelô, como o conhecemos, nasce de um processo de produção massificado que tem como objetivo criar peças uniformizadas, Pompermayer busca imprimir na cerâmica a sua gestualidade, ressaltando a imperfeição das marcas do fazer manual que o processo industrial tende a planificar. Suas peças se constituem a partir de fragmentos, cacos e pequenas peças que são trompe-l’œil de louças quebradas, que a artista utiliza em encaixes, recompondo-as até criar cenas dinâmicas e complexas, de dimensões variadas.

Os trabalhos apresentados nesta exposição são, em grande parte, influenciados por sua experiência recente em uma residência artística no Japão, registrada em um filme que também integra a exposição. Nela, a artista pôde experimentar novas técnicas e materiais.

Surgiram, assim, os trabalhos em colagem, que ela apresenta pela primeira vez. Tratam-se de composições visualmente dinâmicas, construídas a partir de recortes de papéis diversos, que vão desde embalagens e folhas de presente, produzidas e difundidas em massa, até papéis nobres, de tradição centenária, confeccionados artesanalmente. Além de resultarem em imagens que estabelecem um delicado jogo de abstração e levarem ao universo bidimensional uma lógica até então explorada apenas tridimensionalmente, essas obras dão continuidade ao seu interesse em aproximar e misturar os universos da “alta cultura” e do popular.

Se nas colagens a artista leva para o plano essa lógica de associação e recomposição, de volta à cerâmica, sua investigação também se volta aos procedimentos e às tradições que atravessam a história dessa linguagem. Quando não são diretamente empregados, esses procedimentos ao menos são evocados ou emulados. É o caso do kintsugi, técnica japonesa tradicional que consiste em recompor fragmentos de cerâmica utilizando o ouro como aglutinante, valorizando as marcas e imperfeições decorrentes da fratura por meio da incorporação de um material nobre. Nas novas peças apresentadas pela artista, o kintsugi aparece como referência visual e é transposto para o campo pictórico, tornando-se elemento constitutivo da superfície das obras.

É justamente nesse trânsito entre materiais, procedimentos e linguagens que “Uma coisa leva à outra”, título da mostra, se apresenta como uma metáfora sobre a experiência de traduzir um mesmo processo em diferentes linguagens, mas também como um comentário sobre a organicidade do pensamento e da maneira de compor esses trabalhos. Se, nas cerâmicas, a artista parte de pequenos fragmentos para construir imagens, nas colagens esse mesmo princípio se desdobra sobre o plano, fazendo com que recortes e sobreposições criem novas tonalidades e texturas. Em ambos os casos, é a partir da associação entre coisas aparentemente distantes que se constitui seu campo de experimentação, sempre em expansão: um universo que, assim como o celestial, tem em cada fragmento, em cada partícula de matéria, uma parte de um todo.

Thierry Freitas