Tatiane Freitas

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BIOGRAFIA

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Escolher o passado ou o presente? Qual caminho percorrer? Para onde levam os caminhos? O importante é mesmo o percurso? Escolhas tem volta? Essas são algumas das perguntas que desejo invocar.

Para além dessas questões mais subjetivas, My Old New é uma série de trabalhos que instiga a reflexão sobre a condição mesma do sujeito pós-moderno: o excesso de opções que paralisa; o relativismo cultural que ameaça subjugar a ética e o pensamento crítico; a fluidez descrita por Zygmunt Bauman em sua modernidade líquida. A própria noção de pós-modernidade esta intimamente ligada a noção de escolha. Todos os elementos da existência social de um indivíduo são agora subjetivos, relativos, mutáveis. Seu próprio estatuto enquanto sujeito não é mais atribuído ou inferido por sua religião, classe ou gênero, mas é resultado de uma identidade construída através de suas escolhas e memória. O individuo pós-moderno é livre não somente para fazer suas escolhas, mas também para atribuir significado as mesmas. Em termos existencialistas, somos todos condenados a nossa própria liberdade, como disse Sartre – e a responsabilidade que lhe é inerente. O resultado da radicalização dessa noção na contemporaneidade é um sentimento de instabilidade e fluidez que gera estagnação e ansiedade diante de escolhas.

A obra Dear Bed, consiste na reconstrução minimalista da peça já existe de madeira – através do acrílico e resina transformando num objeto contemporâneo que se propõe justamente a elaborar simbolicamente essa tensão contida em cada escolha a ser tomada, em cada caminho a ser percorrido, em cada porta a ser, ou não, aberta. O velho x novo, lembranças de um passado vivido X histórias imaginárias e momentos invisíveis que estão por vir. My Old New é a materialização da inquietude constante do perceber e entender o “fluxo – tempo” da vida, fazendo-se visível e palpável a outros olhos, e Dear Bed, oferece ao público e instiga a problematização da questão da escolha, da liberdade, da responsabilidade, e da própria contingência da experiência humana.

por Vivian Mocelin